segunda-feira, 22 de junho de 2009

Dia 22/06/09

Última aula do trajetórias do ser.

Começamos falando dos últimos solos apresentados que não puderam receber o retorno da turma na aula passada.
Taynah, Luana, Tais, e Ícaro.
Solo do Ícaro abriu a discussão: Teatro ou Dança? Ou teatro-dança?
Enfim, cada um deu sua opinião mas a relevância dessas nomenclaturas foi questionada pela Wlad. Falou-se em como a tendência na contemporaneidade é que essas fronteiras de dissipem mesmo.
Ao comentarmos a cena da Luana, ela mais uma vez colocou que não se sente à vontade na turma, que ainda se sente intimidada, Wlad provocou Luana perguntando até quando essa será a desculpa? Luana disse respeitar seu tempo e que as coisas estão melhorando. Já na avaliação da disciplina Ivanilde disse também não se sentir tão inserida na turma, disse estar num tempo diferente.
Nesta avaliação final todos escrevemos algumas palavras sobre: o professor, a disciplina e a turma.
E enfim, eu não sei me despedir.

Finito.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

19/06/09




Na noite de hoje foi inaugurado na Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará o Teatro experimental Cláudio Barradas.


Atenção para o segundo andar canto direito, eu. Desculpa, tá?!


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Dia 15/06/09

Último dia de apresentações.
Este encontro foi dedicado à Ronald Bergman.
Anne iniciou os trabalhos.
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Sua personagem é uma hippie que senta no bar conversa com demais personagens invisíveis. Usou projeção, alguns elementos em cena como garrafas d cerveja, uma maleta, uma bancada e cadeira. A cena tem muito texto e em determinados momentos se torna cansativa, é pouco fisicamente explorada, movimentos não marcados, aparenta não ter sido ensaiada. Quando trabalhou como diretora do Kauan fez um trabalho muito bom de síntese e junção dos trabalhos dele, mas quando teve de fazer com seus trabalhos não manteve a qualidade. Nos comentários ao final foi dito que ela levou menos elementos para a cena do que costumava e que isso é muito bom pois ela está limpando mais a cena, falou-se também do figurino bem produzido.

Daise entra com uma fantasia de índia, dança uma música, pega a tv de papelão da segunda aula e apresenta uma nova história. A cena da Daise foi simples, curta e rasa, acredito que todos na sala esperavam mais por conhecê-la como aluna empenhada e talentosa, causou um estranhamento na turma apresentando algo que não mostra seu crescimento durante a disciplina. Levou de novo a contação de história exatamente como o fez da primeira vez, Wlad apontou que não é apenas contar, existem técnicas e a aconselhou procurar cursos deste tipo.

Aline vem do fundo da sala com uma lanterna de garrafa pet que usamos no trabalho do coro. Ela é um caçador que conta suas histórias mirabolantes de caça. O personagem é estranho e conforme vai mudando de assunto vai se dissolvendo, conta a história do dia 06/04 da música da Maria Betânia, usou um foco de luz aonde toda ação acontecia e deixou os elementos de cena como a lanterna, a garrafa e o fone de ouvidos fora da luz e os trazia à tona quando preciso. Faz menção à alguma amargura da infância. Executa a coreografia ao som de Elefant Gun do Beirut, na tradução Elefant Gun é Arma de Caça. A letra tem a ver com a cena. A coreografia foi muito bem executada mas o personagem se perde. Encerra como começa, sai levando a luz embora. Gosto desse início e fim. Ao final Wlad elogiou a tranquilidade dela em cena, disse que isso é muito bom.
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Crissie foi a próxima e apresentou um trabalho de encerramento delicioso e que mostrou seu desenvolvimento na disciplina. Montou um paredão onde trocava de roupa e jogou com o que acontecia lá atrás, longe dos olhos do público. Com uma decupagem excelente mostrou uma série de personagens (a bailarina, o bêbado, o gogoboy) e situações inusitadas, descobrimos que ela tem o tempo da piada. Reapresentou o personagem que havia feito na aula da imagem do vendaval, agora muito melhor, bem ensaiado e bem encaixado. Foi um dos trabalhos que mais gostei. Ao final Wlad disse já ter entendido a Crissie, resumindo as palavras dela eu diria que Crissie é o bom e velho palhaço triste.
Daiene começa a cena com a história da mulher que pensa que o marido foi atropelado. Usa uma máscara de papel no início. Nada acrescentou a essa parte da cena, vimos a mesma coisa que foi apresentada da priemira vez, sem corpo, sem voz, sem marcações, uma atuação insegura. Depois Daiene vai para trás da panada e ao som de Pra não dizer que não falei das flores troca de roupa. Quando volta ao palco vem completamente diferente, apresenta o personagem da matinta perira, texto, corpo, voz, marcações, tudo muito seguro. Logo m ocorreu, ela deve ter usado essa cena no teste de aptidão para entrar no curso. Ao final todos elogiaram muito Daiene, mas Wlad não deixou passar, concluiu o que todos supunham, aquele era um trabalho já pronto. Encerrou os comentários à Daiene com a seguinte frase: A matinta é o zero. À partir de agora não quero nada menos que a matinta.
Ivanilde. Gosto de algumas de suas soluçõs cênicas, ela começa com um corpo de grávida, trás na barriga um capéu de palha que usa mais tarde. Confesso que não mantive a atenção no trabalho de Nilde, fiquei dispersando muito, não sei o porquê então não vou culpar a cena. Os comentários do final foram à respeito da atuação que falta corpo, voz, interpretação.


Luana começa como um mendigo, tem um texto bastante pessoal, inseriu a música do dia 06/04, a casa engraçada, mas faltou desenvolver a cena, ela é pouco teatral, precisa dilatar. Tanto se falou que ela estava tímida em relação à turma que isso se viu refletido na cena acanhada. É preciso derrubar essas barreiras.
Taynah apresenta uma mesma personagem do início ao fim do trabalho, mostrando a trajetória dela com o passar do tempo, das décadas, fala da juventude perdida que envelhece se vê sem propósito, decepcionada. Usa uma tela de tnt, tenta fazer um jogo com as tintas mas parece não dar muito certo, usa músicas na passagem do tempo. Taynah tem boas idéias mas precisa trabalhar a atuação, a voz parece insegura, às vezes gagueja, a cena só precisa ser melhor ensaiada, para ficar mais limpa.

Ícaro leva uma cena bastante coreografada, diferente de seu primeiro trabalho está visivelmente ensaiada, ao som de Wanderlust da Björk começa num diálogo, ao invés da voz emite os sons do navio da música, está contando a história dele da primeira aula (ele acabou me explicando a cena no ensaio), executa a coreografia colada ao parto da história da Nilde, depois segue no personagem felino. Uma cena muito boa, gostei muito mesmo. Há tempos não vejo Ícaro se dedicar a um trabalho de fato, fiquei feliz de ver uma cena de tanta qualidade, ele está devendo isso há tempos. A iluminação utilizada perdeu a função que devria ter por não ser a apropriada, ele havia pensando num farol ou uma mira de tiro, não conseguiu nenhum dos dois e a coisa perdeu o significado.

Tais apresentou um cena muito curta, no foco de luz espalhou flores pelo chão e sentada fez dois personagens, primeiro uma criança, fez uma voz mas não alterou o corpo e executou a música do dia 06/04, Aquarela, depois cantou outra música sem personagem. Como trabalho de finalização da discplina foi muito curto, precisa explorar mais o corpo, foi um trabalho muito tímido.



E é só, por enquanto.

sábado, 13 de junho de 2009

13/06/09

Ronald Bergman.
Muito infelizmente esse diário de bordo registra mais um buraco na história da classe artística paraense. O teatro e a dança estão de luto.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dia 08/06/09

Segundo dia de apresentações.

Esta aula foi dedicada ao Walter Bandeira.

Luciano foi o primeiro a apresentar.
Com uma cena à la Nelson Rodrigues fez uma narrativa com início meio e fim, bem redonda. Começa com o homem de negócios que obriga o filho a cursar ciências contábeis, o desfecho da história é o filho revoltado e travestido contando como assassina o pai. A cena de Luciano tem bastante fala, é baseada toda no texto, é o pilar, sem isso não existiria cena. Ele começa falando ao telefone para fugir de um possível solilóquio, utiliza um audio que ele mesmo fez, funcionando como outros personagens (radialista) ou narrador. Ao final foi colocado que o personagem pai se saiu melhor que o personagem filho, visto que faltou ao Luciano encontrar esse corpo feminino, é algo a ser trabalhado. Gosto muito da idéia do audio, calhou bem na cena, mas as vezes penso se não é uma via mais fácil de contar o que se quer contar, às vezes quando há muito texto, a coisa fica pouco teatral, uma voz em off narrando o que se sucede é uma cena no palco perdida, é contar e não mostrar.

O segundo trabalho foi do Marco, a cena dele foi curta demais para um trabalho de encerramento da disciplina, ele tinha material para dilatar ali. Ele entra com um corpo de velho, cansado, segurando uma vela, depois executa a coreografia. Ao final recebeu um puxão de orelha de todos no sentido de que faltou dedicação com o trabalho, o nome já diz é para dar trabalho mesmo, temos de nos arriscar sempre a sair da nossa zona de segurança.

Jackeline começa sua cena de terno e gravata, presidente Lula, alguns minutos de gozação, sai da cadeira e vai até outro ponto do palco onde troca de roupa e faz a dança da segunda aula (pretty woman), vai até outro ponto da sala e faz a cena da historia do irmão que matou seu gato, vai até outro ponto e faz um personagem adolescente, executa a coreografia. O trabalho da Jack foram flashes de tudo que ela já fez até o momento. Aparentemente desorganizado, mas com o tempo creio que as soluções de cena vão ficando mais rebuscadas. Wlad destacou ao final que a qualidade do trabalho dela vem do brincar em cena, é prazeiroso vê-la atuar porque é visível o prazer que ela sente em fazê-lo. Jackeline, independente de qualquer coisa, se diverte.

Rodolfo entra com o personagem do Jô, uma cena divertida mas tem que ter cuidado com o tempo para que a piada não fique repetitiva, colou seus outros trabalhos como quadros do programa, executou a coreografia como tango, editou a cena do peixe para encaixar. Gostei bastante da cena do rodolfo. Vi aí semelhança entre ele e a Jack no modo de encarar a cena. Eu diria que é, como ele mesmo inventou, teatro bonito de se ver.

Diego.
Digo logo que dos trabalhos que vi dele este foi o que mais gostei, usando apenas um foco de luz pequeno colou todos os materiais que tinha. Um mendigo é o ponto central de onde as outras coisas desencadeiam, memórias do passado trazem à cena a avó, a mãe, ele criança; a coreografia entra comprimida no pequeno foco de luz, uma clausura. Achei muito interessante. Ao final foi chamado atenção para exageros na atuação, um choro forçado, uma tendência em seus trabalhos para os dramas densos demais que se pretende mas que a atuação não atinge, e também algumas falas desnecessárias que empobrecem o trabalho, como que reafirmando o que já se está vendo.

Kauan, tem desenvolvido trabalhos cada vez mais brilhantes.
Seu crescimento durante a disciplina foi visível. Começa com uma velha sozinha, divagando sobre sua velhice e o tempo que passou, relembrando o passado, a morte do marido, desejo de fuga, entra no ônibus (black-out) e vai. Muito bom. Os trabalhos do Kauan têm sua assinatura, um tanto quanto cinematográfica eu arriscaria dizer.

Gilson encerrou os trabalhos da noite com uma cena bem amarrada, condensou bem todos os trabalhos, fez em solilóquio, criou uma narrativa linear, adaptou coisas, reencaixou. Homem atordoado, diz ter medo do escuro, busca a proteção de alguém que está em seus pensamentos apenas. Acho que Gilson deveria arriscar outros personagens, em seus trabalhos vejo sempre o mesmo corpo, a mesma voz, o mesmo Gilson. Ao final algumas pessoas bateram na tecla da postura curvada dele em cena.

Encerro por aqui.

terça-feira, 2 de junho de 2009

02/06/09

Walter Bandeira. Quem disser que ele faleceu está tremendamente equivocado, pois todo mundo sempre soube, como ele mesmo dizia, que essas coisas de morte não acontecem aos semi-deuses.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia 01/06/2009

Primeiro dia de apresentações.

Alisson iniciou os trabalhos.
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Em sua cena transformou cada elemento que tinha (alma capturada, criatura...) em um personagem diferente: o padre, o menino puro, o diabo, a puta. Para mudança de personagens passava por trás da panada para trocar o figurino, faltou uma finalização no trabalho. Aconselho a ele ver mais peças, quanto mais vemos melhores soluções cênicas bolamos. Ao final Wlad questionou acima de tudo o argumento da cena. Alisson criou um texto extremamente pessoal e consequentemente agressivo, que quem o conhece fora de sala está cansado de ouvir, frases do tipo: "Sou um menino puro e vocês não vão me corromper". Eu sinceramente não tenho a paciência da Professora, acho as atitudes dele bobas, e espero que o meu amigo repense essas coisas.

Fui a segunda a apresentar.
O processo de criação partiu da leitura que Luana fez do material que eu já tinha. Como eu não possuia uma alma capturada ela inseriu minha criatura no lugar que eu havia escolhido, e disse que eu seria esse inseto que desejava atravessar a rua, ver o que havia do outro lado, a cena começaria com o inseto querendo voltar para casa (coreografia), arrependido, perdido neste espaço que é muito maior que ele.

Luana me deu também outra música como estímulo para execução da coreografia que seria O mundo é um moinho, do Cartola.
À partir destas indicações, fui fazendo pequenas modificações, o inseto que seria alma e não a parte visual, plástica da cena, estaria seguindo pela estrada para além da curva, indo embora e não mais voltando, rumo ao que não se sabe. E aqui eu faço uma comparação a disciplina Trajetórias do Ser, porque estamos de partida rumo ao que não se sabe, feito inseto numa estrada em que só passam caminhões. Sendo assim uma despedida da disciplina e uma síntese de todos os trabalhos busquei a mala que usei no primeiro trabalho: cena da cobra. Nessa primeira cena eu entrava com a mala e um figurino base preto, aos poucos tirava o figurino da cobra de dentro da mala e ia vestindo a personagem enquanto dizia o texto. Nesta ultima cena agora eu entrava com o figurino, em silêncio e o palco já estaria cheio de coisas espalhadas nele: caderno, cds, garrafa peti, panetone, pus ali tudo que é palpável pra falar do que não é. Entro ao som de Então é natal, com o personagem da cobra, rapidamente desisto, essa cena já foi feita. Abro a mala agora vazia e começo a recolher os objetos de cena, história vai pra mala, coro vai pra mala, canto vai pra mala, vou até o som da sala e tiro o cd da Simone, vai pra mala. Tiro a roupa da personagem, cobra vai pra mala. Tiro a roupa base preta porque é o meu figurino e a minha falta de criatividade em quase todos os trabalhos, vai tudo pra mala. Mala fechada, som de caminhões na estrada. Coreografia. Foi difícil manter a música do Cartola em mente com o som dos caminhões ao fundo. O nu foi o que me pareceu mais adequado como figurino do inseto, tanto por me fazer encolher, ou ao menos é essa a sensação que me dá, como por representar a fragilidade daquela criatura, o nu é a desproteção. É também maneira de dizer a turma que eu estou desarmada, sou o alvo porque quero, aberta para ouvir o que geralmente não se quer ouvir. Gostaria de ter voltado pra casa pensando nas coisas que eu deveria buscar.

“É o ato de desnudar-se, de rasgar a máscara diária, da exteriorização do eu. É um ato de revelação, sério e solene. O ator deve estar preparado para ser absolutamente sincero.”(GROTOWSKI, 1992)

Depois de ter apresentado penso que visualmente a coisa é muito pobre, como em todos os meus trabalhos, objetos largados em cena, sem iluminação adequada, um desleixo reflexo de minha preguiça nesse sentido, se fosse refazê-la mudaria bastante a visualidade da coisa. Tenho muita vontade agora de fazer algo caprichado, e rico plasticamente falando.

A próxima cena foi do Carlos.
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Um capricho visível em seu trabalho. Utilizou projeção, música, iluminação, aroma, maquiagem, uma produção zelosa. Carlos entra com a vela, cantando a ladainha que usara na aula do dia 06/05, sob um foco de luz num dos cantos do palco lê um texto sobre ritual; foco apaga e ele chega até outra extremidade do palco, outro foco de luz, é um camarim, Carlos veste o figurino de palhaço. Foco apaga e entra a projeção do lugar, uma estrada, execução da coreografia. Vi no trabalho dele 3 cenas desconexas mas bem boladas, confesso que me incomoda a falta de ligação entre as cenas, mesmo sabendo que não precisa ter. Na conversa depois das apresentações falamos de um trabalho por vez, todos podiam dar suas impressões e depois o autor finalizava comentando também, Carlos nos contou que esqueceu uma parte do texto do início que fazia mensão à próxima cena. Sinto falta desse link, talvez porque minha cabeça ainda funcione de forma muito quadrada.
Nenhuma das escolhas de cenografia me agrada de verdade, mas ao menos Carlos não tem a preguiça que eu e grande parte da turma temos nesse sentido de experimentar, ele é uma das pessoas que dá vontade de trabalhar com.

Cleice foi em seguida, entendo a cena dela como uma boa demonstração de repertório, com poucos elementos em cena mostrou a passagem de um a um dos personagens criados durante o semestre, começou a cena com uma velha quase cigana, usava panos cobrindo o corpo, pouca maquiagem, e um incenso, ruidos incompreenssíveis, passou para a mãe da cena de nossa segunda aula, execução da canção de roda (laranja madura), encerra com uma nova personagem, mulher "oferecida". A falta de narrativa comum não me incomodou neste trabalho, pois enxerguei outra lógica ali. Só é preciso ter um pouco mais de cuidado com o tempo, o momento da cigana se prolongou demais, as pessoas acabam dispersando depois de certo tempo.

Enoque inicia virado de costas para a platéia centralizado no fundo do palco, vira-se apresentando a dona de casa com o saco de lixo na mão, ela vem até a frente e leva o lixo para "fora", usa o texto de sua primeira cena na disciplina, agora editado, ele está com uma maquiagem de macaco depois justificada pelo comportamento dessa mãe que bebe e haje como macaca, nesse momento Enoque poderia ter explorado mais essa idéia, ao invés de dizer no texto: "Pulei feito uma macaca", poderia ter agido como uma sem usar a fala, a fala é muitas vezes uma saída fácil que empobrece o trabalho, o mesmo acontece mais tarde quando ele vira o mendigo que vai remexer o lixo que a dona deixou, isso é uma boa solução! Falar o quanto ele é pobre e não tem lar, nem tanto. A genialidade no teatro é conseguir contar as coisas fora do texto, senão tornamos o espectador meros receptores de uma informação mastigada, o que é melhor? Cabeças recipientes ou pensantes?

Carla foi quem fez a melhor colagem. Ela tem em mãos um trabalho pronto, redondinho, quem assistir jamais vai imaginar como foi o processo de construção, o caráter fragmentado desapareceu por completo. Usa a história que contou no primeiro dia sobre a cobra, sempre intercalando com os outros elementos: Coreografia, personagem da mulher cobra (minha história), Música Medida da paixão. Para Carla só meus elogios! Na conversa do final Ivanilde disse que achou o trabalho tímido e que Carla deveria arriscar mais, pois seus trabalhos são sempre muito parecidos.
Michel estava com uma peruca azul que ele mesmo fez, uma atmosfera onírica permeou o trabalho dele, brincou com o foco de luz quadrado como se fosse o terraço de um prédio, ameaçava saltar, personagem estranho, aspectos femininos, não necessariamente mulher nem homem, em determinado momento ele cai, criou ali um quarto plano uma profundidade que não existe, muito bom, jogo excelente com a luz. O personagem em cima do prédio vira uma garrafa de cachaça goela abaixo no palco, prepara-se para um suicídio, brinca com a vertigem, enxergo a cena dele como uma representação abstrata do desespero, é um fundo de poço, que ali é alto de prédio.
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Luciano chegou no fim da aula, com figurino e tudo, deveria ter se apresentado mas ficará para a próxima aula.

Encerro por aqui a página de hoje com um incentivo aos que ainda vão apresentar, a frase é do Carlos.
"Tudo partiu de mim então tem conexão!"